Neste início de 2024 tem ocorrido muita discussão nas redes sociais sobre o Boi Bumbá da Amazônia e o Bumba Meu Boi do Nordeste.
O assunto veio à tona por dois motivos, o Bumba Meu Boi está em evidência na TV Globo com a novela “Renascer” e o Boi Bumbá com a participante Isabelle Nogueira no BBB.
O assunto do folclore e a presença do boi na Amazônia urge em destrinchar a história e a origem dos bois no cotidiano.
O Boi Bumbá foi trazido pelos imigrantes nordestinos no final do século XIX e início do século XX, ainda no ciclo da borracha no Amazonas.
O Auto-do-Boi amazônico detém características singulares que o diferem das demais expressões deste folclore em outras cidades brasileiras, por ser organizado como um espetáculo de arena que o denomina “Boi de Arena”, através de uma intensa disputa artística, cênica e musical frente aos temas escolhidos por cada agremiação para a apresentação dos grandiosos espetáculos.

Os bois presentes na foto propiciaram a criação do Festival Folclórico do Amazonas, em 1958, realizado em Manaus e anterior ao famoso Festival de Parintins, de 1965, realizado em Parintins. O Festival do Amazonas foi idealizado pelo grupo Archer Pinto, sob coordenação do Jornalista Bianor Garcia, onde era apresentado no palco (tablado) instalado no Campo General Osório, situado na Av. Epaminondas, de propriedade do Exército Brasileiro.
Na década de 80, os bois de Manaus se apresentavam com suas batucadas, teclados e arranjos elaborados para o período. Em 1994, o Boi Caprichoso de Parintins levou os teclados pela primeira vez para o Festival de Parintins. Até 1993, os bois de Parintins utilizavam apenas acompanhamento de percussão. Na época gerou grande alvoroço por parte do Boi Garantido que acusava o Caprichoso de estar desvirtuando a tradição das toadas.

O disco de vinil, LP de 1983 reconta a história dos bois do Amazonas. Além dos bois da foto anterior, haviam o Boi Mina de Ouro; o Boi Garantido, do São Jorge (não é o mesmo de Parintins), fundado pelo seo Batelão; o Boi Luz de Guerra, da Matinha, fundado pelo seo Maranhão; o Boi Corre Fama, do Coroado, fundado pelo seo Valdeci; o Boi Caprichoso da Praça 14 (não é o mesmo de Parintins), fundado por Futado Belém; o Boi Brilha Noite do Jorge Teixeira; o Boi Flor do Campo do São José; o Boi Estrela D’Alva; Boi Canarinho; além de outros bois e garrotes que eram compostos por crianças e adolescentes, chamados também de boi mirins.
Atualmente o Festival de Parintins rompeu fronteiras e se tornou a principal festa folclórica do estado, recebeu o título de Patrimônio Cultural e conta com a apresentação dos Boi Caprichoso e Garantido.
O Festival Folclórico do Amazonas segue sendo realizado, atualmente conta com a apresentação de cerca de 140 grupos folclóricos entre eles os bois Brilhante, Corre Campo e Garanhão, além de outros bois, cirandas e danças.